A política francesa de redução da velocidade máxima para 80 km/h, implementada em 2018 nas estradas secundárias sem separador central, está a ser progressivamente revertida.
Atualmente, mais de metade dos departamentos metropolitanos franceses já decidiram repor o limite de 90 km/h em parte ou na totalidade da sua rede rodoviária. No início de 2027, estima-se que mais de 64 mil quilómetros de estradas estejam novamente abrangidos por este limite.
Esta mudança resulta de avaliações realizadas pelas autoridades locais, que concluíram que a redução da velocidade não produziu os benefícios esperados ao nível da segurança rodoviária.
Segundo os estudos analisados pelas entidades responsáveis, a maioria dos acidentes continua a estar relacionada com fatores como:
Em muitos casos, o limite de velocidade revelou ter um impacto reduzido quando comparado com estes fatores humanos.
O regresso aos 90 km/h não está a ser aplicado de forma indiscriminada.
As autoridades francesas continuam a manter limites inferiores em locais considerados mais perigosos, como:
A estratégia passa por adaptar a velocidade às características de cada estrada, em vez de aplicar um limite igual para toda a rede rodoviária.
Para quem circula de moto, muitos dos riscos encontrados nas estradas nacionais não dependem exclusivamente da velocidade permitida.
Entre os problemas frequentemente apontados pelos motociclistas encontram-se:
Melhorar estas condições poderá contribuir de forma mais significativa para a segurança do que uma simples alteração dos limites de velocidade.
Em Portugal continuam a existir propostas para reduzir os limites de velocidade em diferentes tipos de estrada como forma de diminuir a sinistralidade.
No entanto, o exemplo francês demonstra que, após vários anos de aplicação prática, algumas regiões concluíram que a medida não trouxe os resultados inicialmente esperados e optaram por uma abordagem mais flexível.
Naturalmente, a realidade portuguesa é diferente da francesa e qualquer decisão deve ter em conta fatores como o estado das infraestruturas, a fiscalização, a formação dos condutores e o comportamento dos utilizadores da via.
A experiência francesa mostra que a segurança rodoviária depende de muito mais do que os números presentes nos sinais de trânsito. Infraestruturas em boas condições, fiscalização eficaz e comportamentos responsáveis continuam a ser elementos fundamentais para reduzir os acidentes.
A questão que permanece é simples: será mais eficaz baixar genericamente os limites de velocidade ou investir na melhoria das estradas e na prevenção dos comportamentos de risco?
Esta é uma discussão que certamente continuará a marcar o futuro da mobilidade em Portugal e na Europa.
Aviso de Fonte IATexto e Imagem gerada por "IA" com pesquisa em fontes reais online.
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