A fiscalização rodoviária em Portugal está a entrar numa nova fase. Depois de vários anos em que a Polícia de Segurança Pública (PSP) divulgava antecipadamente os locais e horários previstos para operações de controlo de velocidade, essa prática foi alterada em 2026.
A mudança começou a ser notada em maio, quando a habitual lista mensal da campanha “Quem o avisa…” deixou de ser publicada. Segundo a PSP, trata-se de um ajustamento da estratégia de comunicação associada às ações de fiscalização rodoviária, tendo como objetivo reforçar a eficácia preventiva e dissuasora do controlo de velocidade.
A alteração acontece num momento em que as autoridades portuguesas procuram reforçar o combate à sinistralidade rodoviária e tornar a fiscalização mais regular e menos previsível.
Durante anos, a campanha “Quem o avisa…” tornou-se conhecida entre os condutores portugueses.
A PSP publicava regularmente informação sobre os locais, datas e horários em que estavam previstas operações de controlo de velocidade. A iniciativa tinha uma componente claramente preventiva: ao saberem que existiria fiscalização numa determinada estrada, os condutores eram incentivados a reduzir a velocidade e a cumprir as regras.
A partir de maio de 2026, essa informação deixou de ser divulgada nos moldes habituais.
A PSP confirmou que a decisão resulta de um “processo de ajustamento da estratégia de comunicação associada às ações de fiscalização rodoviária”, defendendo que a nova abordagem pretende aumentar a eficácia da fiscalização.
É importante esclarecer que o fim da divulgação antecipada não significa o fim dos radares.
A PSP continua a realizar operações de controlo de velocidade no território da sua responsabilidade. A diferença está essencialmente na forma como essas operações são comunicadas ao público.
A intenção passa por evitar que os condutores adaptem o seu comportamento apenas durante os períodos ou nos locais previamente anunciados.
Desta forma, a fiscalização passa a ter um caráter mais imprevisível.
A alteração representa uma mudança significativa na filosofia de fiscalização.
Quando os locais de controlo são conhecidos antecipadamente, um condutor que normalmente exceda o limite de velocidade pode reduzir temporariamente a velocidade ao aproximar-se da zona anunciada e voltar posteriormente ao comportamento habitual.
Com operações não anunciadas, essa possibilidade diminui.
A estratégia pretende que o cumprimento das regras seja mantido durante todo o percurso, e não apenas quando existe conhecimento de uma operação policial.
A própria PSP explicou que pretende reforçar a eficácia preventiva e dissuasora da fiscalização.
A alteração surge num contexto de preocupação com os números da sinistralidade rodoviária em Portugal.
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) tem identificado a velocidade, o álcool e a distração como alguns dos comportamentos de risco que devem merecer particular atenção.
No Plano Nacional de Fiscalização de 2026, a velocidade continua a ocupar um lugar central. A primeira campanha do ano, “Viaje sem pressa”, foi precisamente dedicada ao excesso de velocidade e envolveu a ANSR, a GNR e a PSP.
Na apresentação dessa campanha, as autoridades recordaram que a velocidade está associada a cerca de um terço das mortes na estrada.
Os dados divulgados no âmbito do Plano Nacional de Fiscalização mostram ainda a dimensão do problema: em 2025, cerca de 64% das infrações registadas no contexto referido pelas autoridades estavam relacionadas com excesso de velocidade.
A estratégia de fiscalização pretende, por isso, atuar precisamente sobre comportamentos que podem aumentar a probabilidade ou a gravidade dos acidentes.
A mudança na divulgação dos radares surge integrada numa estratégia mais abrangente.
Segundo a informação divulgada sobre a nova orientação governamental, está prevista uma presença mais contínua e imprevisível das forças de segurança nas estradas, com maior atenção aos comportamentos considerados mais perigosos.
A ideia é deixar de concentrar a fiscalização apenas em operações pontuais e facilmente identificáveis.
Para os condutores, isso significa que uma estrada habitualmente sem fiscalização pode ser alvo de uma operação em qualquer momento.
A mudança não se limita necessariamente aos radares.
A nova estratégia apresentada pelo Governo aponta para o abandono dos avisos antecipados de determinadas operações STOP e para uma presença mais regular das forças de segurança.
O princípio é semelhante: aumentar a imprevisibilidade para dificultar que os comportamentos de risco sejam simplesmente interrompidos durante uma operação e retomados depois.
A fiscalização pretende, assim, atuar de forma contínua e não apenas em determinados dias anunciados.
A estratégia anunciada inclui também uma reorganização da fiscalização rodoviária.
Entre as medidas previstas está a recuperação da Brigada de Trânsito da GNR, estrutura especializada que tinha sido extinta em 2007. A intenção apresentada é recuperar uma capacidade de fiscalização dedicada ao trânsito e reforçar a coordenação nacional desta área.
A nova abordagem pretende concentrar recursos nos comportamentos que apresentam maior relação com acidentes graves.
Entre eles encontram-se:
O objetivo passa por aumentar a capacidade de intervenção das autoridades onde os riscos são considerados mais elevados.
Outra das mudanças previstas está relacionada com o reforço dos sistemas automáticos de fiscalização.
A estratégia apresentada pelo Governo inclui mais radares, incluindo sistemas de controlo de velocidade média.
Ao contrário de um radar tradicional, que mede a velocidade num determinado ponto, o controlo de velocidade média permite calcular a velocidade de um veículo ao longo de um determinado percurso.
Isto reduz a possibilidade de um condutor simplesmente travar antes do radar e acelerar novamente depois de o ultrapassar.
Com sistemas de velocidade média, a preocupação deixa de estar apenas no ponto onde o radar está instalado.
O condutor precisa de respeitar o limite durante todo o segmento controlado.
Esta tecnologia pode assumir particular importância em vias onde existe um histórico de excesso de velocidade ou acidentes relacionados com velocidades inadequadas.
Para muitos automobilistas e motociclistas, a lista “Quem o avisa…” fazia parte da preparação das deslocações.
Era comum consultar as redes sociais da PSP antes de iniciar uma viagem para verificar se existiam operações previstas.
Essa possibilidade deixa agora de existir nos mesmos moldes.
A PSP pretende precisamente que os condutores não dependam desse tipo de informação para cumprir os limites de velocidade.
Independentemente de existir ou não um radar conhecido, o limite de velocidade mantém-se.
Uma estrada não deixa de ter um limite legal apenas porque naquele dia não existe uma operação anunciada.
Da mesma forma, uma operação de fiscalização não altera as regras aplicáveis aos restantes condutores.
A mudança também interessa diretamente aos motociclistas.
As motos são particularmente vulneráveis em caso de acidente, uma vez que não possuem a proteção estrutural de um automóvel.
Uma velocidade excessiva pode reduzir significativamente o tempo disponível para reagir a um obstáculo, a uma travagem inesperada ou a uma mudança de trajetória de outro veículo.
A fiscalização mais imprevisível significa que os motociclistas também devem assumir que qualquer troço pode ser fiscalizado.
Para quem anda de mota diariamente, a melhor estratégia não passa por tentar descobrir onde estão os radares.
Passa por manter uma velocidade adequada às condições da estrada, antecipar os movimentos dos restantes veículos e conservar uma margem de segurança.
Esta abordagem é particularmente importante em zonas urbanas, onde a interação entre veículos é muito maior.
A ANSR destaca precisamente a necessidade de reforçar a fiscalização dos comportamentos de risco, incluindo velocidade, álcool e distração.
A alteração não surgiu completamente de forma inesperada.
Em maio de 2026, a PSP já tinha confirmado que deixara de publicar a habitual lista mensal de radares, explicando que a decisão fazia parte de um ajustamento da estratégia de comunicação.
A mudança foi posteriormente enquadrada numa estratégia governamental mais ampla de reforço da fiscalização rodoviária.
Assim, o que inicialmente poderia parecer apenas o fim de uma publicação nas redes sociais representa uma alteração mais profunda na forma como as operações de fiscalização são encaradas.
Apesar da redução da informação antecipada sobre determinados locais de fiscalização, a prevenção não desapareceu.
O Plano Nacional de Fiscalização continua a combinar campanhas de sensibilização da ANSR com operações realizadas pela GNR e pela PSP.
Em 2026 estão previstas 11 campanhas dedicadas a diferentes fatores de risco, incluindo velocidade, álcool, utilização de dispositivos de segurança, telemóvel e veículos de duas rodas a motor. O plano passou também a incluir um eixo dedicado aos utilizadores vulneráveis.
A diferença está sobretudo na tentativa de separar a sensibilização da divulgação detalhada dos locais onde as autoridades irão fiscalizar.
A nova orientação representa uma mudança importante para os condutores portugueses.
Durante anos, a divulgação antecipada das operações permitiu saber onde e quando existiria fiscalização. Agora, essa previsibilidade diminui.
A PSP mantém os controlos de velocidade e garante que continuará a fiscalizar o território sob a sua responsabilidade.
Ao mesmo tempo, a estratégia governamental aponta para mais radares, controlo de velocidade média, operações sem aviso prévio e uma estrutura de trânsito mais especializada.
Para quem cumpre as regras, a principal mudança será saber que a fiscalização pode surgir sem aviso e em locais que anteriormente não constavam de qualquer lista pública.
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